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  • Foto do escritorDr. Carlos Rava

Dor no quadril do ciclista


O ciclismo pode exacerbar os sintomas de uma afecções do quadril até então silenciosa. Não há dados estatísticos precisos sobre a incidência de comprometimento do quadril em ciclistas. Estima-se que entre 34 e 72% dos ciclistas amadores e 18 % dos ciclistas com mais de 10 horas de treino por semana apresentem dores na virilha ou nádega.

Na população em geral há uma prevalência de 25% de artrose aos 85 anos. Naqueles que quando mais jovens foram atletas esta prevalência pode subir para até 60% aos 85 anos.


A causa de dor no quadril do ciclista pode ser dividida quanto a sua origem em:

  • · Dores intrísecas – relacionadas ao paciente

  • · Dores extrínsecas – relacionadas a prática do esporte

Das causas intrínsecas de dor, destaco o impacto fêmuro-acetabular (IFA), mais prevalente nos pacientes jovens. O toque entre o colo femoral mais largo e o bordo ósseo acetabular mais proeminente provoca o esmagamento do lábio acetabular e cisalhamento e da cartilagem do rebordo acetabular. O IFA pode ser assintomática até o início da prática do ciclismo e vir a manifestar-se como dor insidiosa e de intensidade progressiva na região da virilha (local mais frequente). Vale lembra que o IFA é um fator de risco para dor no quadril e que muitos pacientes assintomáticos podem nunca reclamar de dor nos quadris durante a vida.

O mau posicionamento na bicicleta é a principal causa de dor extrínseca no quadril do ciclista. A postura inadequada pode alterar a biomecânica do movimento e o controle neuromotor, acarretando uma sobrecarga em algum componente da articulação do quadril.

O músculo glúteo máximo é essencial na fase de propulsão do pedal e pode tornar-se sobrecarregado com treino excessivo ou mal posicionamento na bicicleta (flexão excessiva do tronco) – levando ao desenvolvimento de pontos gatilho miofasciais nas nádegas.

O controle neuromuscular lombo-pélvico-quadril não tem sido estudado a nível de precisá-lo, mas há evidências de que há padrões de ativação aberrantes da musculatura ao se pedalar com com postura inadequada. A postura ideal é de leve flexão anterior da coluna torácica e lombar. A flexão excessiva da lombar pode gerar silêncio elétrico da musculatura extensora da coluna e ou da musculatura abdominal, acarretando perda de potência do atleta e lesões da coluna lombar.

Para o posicionamento adequado na bicicleta recomendo a procura de um profissional que realize o bikefit que nada mais é do que a regulagem dos componentes da bicicleta (altura do banco, altura do guidão, formato do banco, tamanho do quadro) de forma personalizada para o corpo do ciclista.

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